Francisco Gerlieu Ricardo da Rocha, Rafael Soares Silva
Este estudo analisa criticamente a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no ensino de Ciências da Natureza, com ênfase em suas implicações pedagógicas e curriculares. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida a partir de uma revisão do tipo estado da arte, com base na análise de nove produções acadêmicas selecionadas entre 224 trabalhos disponíveis na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), considerando o recorte temporal de 2017 a 2025. Os resultados indicam que, embora a BNCC apresente avanços no plano normativo, como a organização por competências e a proposta de integração entre áreas do conhecimento, sua implementação encontra limites significativos no contexto escolar. Entre os principais entraves identificados destacam-se a fragilidade na formação docente, a redução de conteúdos estruturantes e a incipiência de práticas investigativas no ensino de Ciências. Evidencia-se, ainda, uma persistente desconexão entre os fundamentos teóricos que sustentam a política curricular e as condições concretas de sua operacionalização, o que compromete seu potencial inovador. Conclui-se que, no contexto analisado, a BNCC apresenta fragilidades estruturais que tensionam sua efetivação como proposta de inovação pedagógica, reforçando a necessidade de maior articulação entre política curricular, formação docente e práticas educativas.