Benedita Letícia Melo Oliveira, Rafael Soares Silva
Este estudo analisa a produção acadêmica sobre o currículo antirracista no ensino de Ciências, à luz da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no período de 2017 a 2025. O objetivo é investigar em que medida a BNCC tem se configurado como instrumento efetivo de promoção da equidade racial ou se sua incorporação permanece no plano normativo e simbólico. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo estado do conhecimento, desenvolvida a partir da análise de dissertações e teses disponíveis na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD). Os resultados evidenciam a centralidade da formação docente e a recorrência de temas como relações étnico-raciais, crítica à branquitude e reconfiguração curricular. Entretanto, observa-se um descompasso entre o avanço teórico e sua materialização nas práticas pedagógicas, marcado por fragilidades na formação continuada, na articulação com o cotidiano escolar e na produção de recursos didáticos. Conclui-se que, embora a BNCC represente um avanço normativo, sua implementação no ensino de Ciências ainda ocorre de forma limitada, evidenciando tensões entre discurso e prática e apontando a necessidade de fortalecimento de uma educação científica antirracista.