Emylle Maria de Oliveira Tabosa Sousa, Rafael Soares Silva
Este estudo tem como objetivo analisar como a interdisciplinaridade tem sido abordada na produção acadêmica sobre o ensino de Ciências, com ênfase nos desafios, lacunas e limites de sua implementação. Trata-se de uma pesquisa do tipo estado da arte, de abordagem qualitativa, com recorte temporal entre os anos de 2017 e 2025, fundamentada na análise de dissertações e produções acadêmicas disponíveis em bases digitais. O referencial teórico mobiliza autores como Vygotsky (1984), Ausubel (2003), Fazenda (1995) e Morin (2000), que contribuem para a compreensão da interdisciplinaridade como prática pedagógica e como perspectiva epistemológica.Os resultados indicam que a interdisciplinaridade ocupa posição central no discurso educacional, sendo frequentemente associada ao uso de metodologias ativas, projetos integradores e à formação docente. No entanto, sua materialização no contexto escolar ainda se apresenta de forma limitada, marcada pela fragmentação curricular, pela insuficiência da formação inicial e continuada de professores e pela fragilidade das condições institucionais para o planejamento coletivo. Além disso, evidenciam-se lacunas importantes na produção acadêmica, especialmente no que se refere à diversidade de públicos investigados e ao aprofundamento teórico das análises. Conclui-se que a interdisciplinaridade, no campo do ensino de Ciências, permanece tensionada entre o plano das intenções e sua efetivação prática, demandando avanços na formação docente, na organização curricular e nas políticas educacionais, de modo a consolidar-se como uma prática pedagógica crítica, integrada e socialmente comprometida.