Francisca Graziely Pereira dos Santos, Rafael Soares Silva
Este capítulo analisa criticamente a produção acadêmica brasileira sobre gênero, sexualidade e ensino de Ciências, com ênfase na formação docente para a diversidade. Parte-se do pressuposto de que, embora essas temáticas estejam presentes no campo educacional, sua abordagem ainda é marcada por limitações teóricas e pedagógicas. A pesquisa caracteriza-se como uma revisão do tipo estado da arte, fundamentada em Romanowski e Ens (2006) e Ferreira (2002), com abordagem qualitativa. O levantamento foi realizado na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), por meio de descritores combinados por operadores booleanos, resultando em um corpus composto por 10 estudos publicados entre 2015 e 2025. A análise foi conduzida a partir de categorias temáticas emergentes, organizadas em cinco eixos: formação de professores, estratégias didáticas, recursos didáticos, inclusão e diversidade e fundamentos teóricos. Os resultados evidenciam a predominância de estudos voltados à formação docente e ao uso de referenciais críticos, como Paulo Freire, Michel Foucault e Guacira Lopes Louro. No entanto, observa-se fragilidade na articulação entre teoria e prática, baixa incidência de avaliações sistemáticas das propostas pedagógicas e limitada incorporação de abordagens interseccionais. Conclui-se que, embora o campo apresente avanços significativos, persistem lacunas que demandam investigações mais robustas, especialmente no que se refere à inclusão, à diversidade e à efetivação de práticas pedagógicas críticas no ensino de Ciências.