Isabelly Alexandre Montenegro, Rafael Soares Silva
Este estudo apresenta um estado do conhecimento sobre a autonomia docente no ensino de Ciências, a partir da análise de treze dissertações e teses disponíveis na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), produzidas entre 2017 e 2025. O objetivo consistiu em investigar como a autonomia do professor tem sido abordada na produção acadêmica, considerando suas articulações com o currículo, a formação docente e as práticas de inovação pedagógica. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, com base nos pressupostos do estado da arte, envolvendo levantamento, sistematização, categorização e análise interpretativa das produções. Os resultados evidenciam a predominância de abordagens críticas, com destaque para referenciais como Paulo Freire, Tomaz Tadeu da Silva, Gimeno Sacristán e Philippe Perrenoud. Também foram identificadas lacunas relevantes, como a utilização superficial dos referenciais teóricos em parte dos estudos e a baixa incidência de investigações em contextos socialmente diversos e vulneráveis. Conclui-se que a autonomia docente no ensino de Ciências constitui um campo em consolidação, ainda marcado por tensões entre prescrição curricular e práticas pedagógicas, demandando maior aprofundamento teórico e investimento em práticas formativas que valorizem a reflexão crítica, a autoria docente e a transformação social.