Yasmim do Nascimento Sousa, Rafael Soares Silva
O ensino de Ciências e Biologia na educação básica tem sido atravessado por desafios persistentes, dentre os quais se destacam o desinteresse discente e a permanência de práticas pedagógicas de caráter transmissivo. Nesse contexto, as metodologias ativas têm sido amplamente difundidas como alternativas capazes de promover engajamento e aprendizagem significativa. O presente estudo tem como objetivo investigar o uso dessas metodologias no ensino de Ciências e Biologia, analisando criticamente em que medida tais práticas têm contribuído para a aprendizagem ou se configuram como um discurso pedagógico recorrente, pouco articulado às condições reais da escola. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo estado da arte, que analisa a produção acadêmica no período de 2020 a 2025, recorte marcado pelas transformações educacionais decorrentes da pandemia da COVID-19. Os resultados evidenciam que, embora as metodologias ativas sejam frequentemente associadas à inovação pedagógica, persistem lacunas significativas no que se refere à formação inicial e continuada de professores, à consistência teórica das propostas e à compreensão dos processos de aprendizagem. Conclui-se que a eficácia dessas metodologias não pode ser tomada como pressuposto, exigindo análises mais críticas, contextualizadas e comprometidas com as condições concretas do ensino.