Lindalva do Remedio Oliveira Cerqueira, Elvys Wagner Ferreira da Silva, João Aranha Barros, Lillian Raquel Braga Simões, Iris Maria Ribeiro Rocha, Raimundo Santos de Castro, Waleria de Jesus Barbosa Soares
O presente artigo analisa as contribuições da neuroeducação para a compreensão das relações entre emoção, cognição e aprendizagem nos processos de alfabetização nos anos iniciais do ensino fundamental. Parte-se do entendimento de que a aprendizagem da leitura e da escrita envolve dimensões neurobiológicas, emocionais, sociais e culturais que se articulam continuamente no desenvolvimento infantil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e abordagem teórico-analítica, fundamentada em produções nacionais e internacionais relacionadas à neuroeducação, alfabetização e aprendizagem. O estudo dialoga principalmente com António Damásio, Stanislas Dehaene, Maryanne Wolf, Lev Vygotsky, Henri Wallon e Magda Soares. As discussões evidenciam que emoção e cognição atuam de forma interdependente, influenciando mecanismos relacionados à atenção, memória, motivação e consolidação das aprendizagens. O artigo também problematiza perspectivas reducionistas da neuroeducação, defendendo uma abordagem interdisciplinar da alfabetização, sensível às dimensões humanas, sociais e culturais do desenvolvimento infantil. Conclui-se que os aportes da neuroeducação podem contribuir para práticas alfabetizadoras mais críticas, contextualizadas e cientificamente fundamentadas, desde que articulados aos saberes pedagógicos e às realidades educacionais.