Elivaldo Serrão Custodio, Delcio Chaves Barros
A educação antirracista visa desconstruir conceitos e ideias que perpetuam a discriminação racial, promovendo a igualdade e o respeito entre diferentes grupos étnico-raciais no espaço escolar. No âmbito do Novo Ensino Médio, instituído pela Lei nº 13.415/2017, o componente curricular Projeto de Vida integra a formação geral básica e orienta a construção das trajetórias pessoais, educacionais e sociais dos estudantes. Em escolas quilombolas, esse componente adquire relevância, na medida em que pode articular identidade, pertencimento territorial e expectativas de futuro. Diante deste contexto, o presente artigo tem por objetivo investigar como as relações étnico-raciais podem ser incorporadas ao componente Projeto de Vida como parte das políticas públicas educacionais voltadas à equidade racial no 2º ano do ensino médio em escolas quilombolas. Considerando-o como desdobramento das políticas públicas educacionais voltadas à equidade racial em contextos quilombolas do estado do Amapá. A investigação adota abordagem qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada em estudo bibliográfico e documental, com exame de marcos legais, normativos e curriculares da educação básica, além da análise do Projeto Político Pedagógico de uma escola quilombola tomada como referência documental. Os resultados indicam entraves relacionados à formação docente e à incorporação sistemática das relações étnico-raciais no componente Projeto de Vida, especialmente em territórios quilombolas, ao mesmo tempo em que sinalizam a limitada visibilidade de produções acadêmicas que, no recorte amapaense, articulem diretamente esse componente curricular às políticas de educação étnico-racial no âmbito do Novo Ensino Médio. Conclui-se que o Projeto de Vida apresenta potencial formativo para a consolidação de práticas educacionais comprometidas com a equidade racial em escolas quilombolas.