Luiz Fernando Ridolfi, Andréa da Silva Santos Leite, Luciana Maria Nickel Candeias, Wadiswava Dias Rezende Dominick Figueiredo, Graziani Vasconcelos Zanfolin, Charles Alves Correia, Emanuele Martins Teles, Maria José Cunha Freire Mendes
O presente estudo analisa criticamente o desenvolvimento das competências digitais docentes no contexto da cultura educacional contemporânea, problematizando as tensões entre as demandas por inovação tecnológica e as condições estruturais, formativas e institucionais que configuram a prática pedagógica. Fundamentado em uma abordagem qualitativa de natureza teórico-analítica, o artigo realiza uma revisão sistematizada da literatura recente (2020–2025), com base em critérios inspirados no protocolo PRISMA, contemplando produções indexadas em bases como SciELO, ERIC, CAPES e Google Scholar. O corpus final foi composto por estudos selecionados a partir de critérios de relevância teórica, rigor metodológico e aderência ao campo educacional crítico. Os resultados evidenciam que a competência digital docente se constitui como um fenômeno multidimensional, que transcende o domínio técnico-instrumental e envolve dimensões pedagógicas, epistemológicas, institucionais e políticas. Verifica-se que a formação inicial apresenta limitações estruturais na articulação entre tecnologia, pedagogia e prática docente, enquanto a formação continuada, embora reconhecida como estratégica, tende a ocorrer de forma fragmentada, descontextualizada e orientada por lógicas prescritivas. Ademais, identificam-se barreiras sistêmicas à integração tecnológica, tais como precariedade de infraestrutura, ausência de suporte institucional e persistência de culturas escolares tradicionais. A análise indica que práticas pedagógicas inovadoras emergem não da mera incorporação de tecnologias, mas da intencionalidade pedagógica, da autonomia docente e da construção coletiva de saberes em comunidades de prática. Conclui-se que o desenvolvimento das competências digitais docentes requer políticas públicas estruturantes, modelos formativos críticos e sustentáveis, bem como a ressignificação da identidade profissional do professor frente às dinâmicas da sociedade digital. O estudo contribui ao deslocar o debate da dimensão instrumental para uma abordagem sistêmica e crítica, oferecendo subsídios teóricos e analíticos para a formulação de políticas e práticas educacionais mais equitativas e contextualizadas.