Matheus Lopes da Mota, Rafael Soares Silva
Este capítulo analisa criticamente a produção acadêmica brasileira sobre o uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) na formação inicial de professores de Ciências da Natureza, com ênfase no ensino de Biologia. Parte-se do reconhecimento de que, embora amplamente difundidas, as tecnologias digitais ainda são incorporadas de forma fragmentada e pouco problematizada nos cursos de licenciatura. A pesquisa caracteriza-se como um estudo do tipo estado da arte, fundamentado em Romanowski e Ens (2006), realizado a partir de levantamento nas bases BDTD e Periódicos CAPES, mediante descritores combinados por operadores booleanos. O corpus foi constituído por 13 produções acadêmicas publicadas entre 2018 e 2025, selecionadas a partir de critérios rigorosos de inclusão e exclusão. A análise temático-interpretativa foi organizada em cinco eixos: formação de professores, estratégias didáticas, recursos digitais, inclusão e diversidade, e fundamentos teóricos. Os resultados evidenciam um campo em expansão, marcado pela valorização de metodologias ativas e pelo uso de redes sociais e recursos digitais autorais, mas ainda atravessado por fragilidades, como a ausência de avaliações sistemáticas, a desarticulação entre teoria e prática e a limitada incorporação de abordagens críticas e inclusivas. Conclui-se que a presença das TDICs não implica, por si só, inovação pedagógica, sendo necessária sua articulação a processos formativos críticos, políticas públicas estruturadas e práticas contextualizadas, capazes de responder às demandas da educação científica contemporânea.