Francisco Fabio Damasceno Montenegro, FRANCISCO JOSÉ ALVES DE AQUINO
A difusão das metodologias ativas na Educação Profissional, Científica e Tecnológica (EPCT) tem sido frequentemente associada à inovação pedagógica, sendo a Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE) apontada como estratégia capaz de favorecer o engajamento discente e a aprendizagem colaborativa. Entretanto, abordagens centradas em seus efeitos tendem a relegar a segundo plano as condições institucionais que moldam sua implementação. Este estudo examina criticamente tais condições no contexto da EPCT, com ênfase nas mediações estruturais que atravessam a prática pedagógica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de orientação crítico-interpretativa, desenvolvida no Instituto Federal do Ceará (IFCE), com base em entrevistas semiestruturadas com docentes de cursos técnicos em Eletrotécnica, analisadas por meio do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Os achados indicam que a ABE se configura como uma prática tensionada, cuja efetividade está vinculada a fatores como infraestrutura, organização do trabalho docente, cultura institucional e políticas de formação continuada, assumindo, na ausência dessas condições, caráter episódico e pouco sustentável. O estudo sustenta, assim, que a inovação pedagógica não decorre da simples adoção de metodologias ativas, mas se constitui como um processo historicamente e institucionalmente condicionado, atravessado pelas relações que organizam o trabalho docente na EPCT.