Geovanna Rita Freire Matos, Halanderson Raymisson da Silva Pereira, Thiago Vargas Feiten Vargas
A experiência do grupo Ouvidores de Vozes, desenvolvido em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), permitiu problematizar as tensões entre o discurso biomédico e a escuta psicanalítica nos modos de cuidado em saúde mental. Sustentada pela perspectiva da pesquisa psicanalítica e pela Análise do Discurso de linha francesa, buscou-se compreender os modos de subjetivação produzidos nas relações institucionais de cuidado, especialmente no que se refere à medicalização do sofrimento psíquico, à centralidade diagnóstica e à hierarquização dos saberes no interior do tratamento. As narrativas dos participantes põem em relevo a ambivalência presente na relação com os psicofármacos, percebidos simultaneamente como recurso terapêutico e como parte de uma experiência associada ao apagamento subjetivo e à cristalização identitária. Em contrapartida, o grupo configurou-se como espaço de circulação da fala, escuta e elaboração coletiva do sofrimento, favorecendo deslocamentos em relação às identificações cristalizadas pelos diagnósticos, evidenciando, assim, a importância de práticas clínicas comprometidas com a singularidade do sujeito e com a construção compartilhada do cuidado no campo da atenção psicossocial.