Gabriel Lucena de Lima, David Magalhães, Luana Idalino Da Silva
O transtorno depressivo representa um importante desafio para a Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente devido à complexidade do diagnóstico precoce e à necessidade de articulação com a Rede de Atenção Psicossocial. Este estudo teve como objetivo analisar os principais desafios percebidos por médicos da APS de Patos/PB no diagnóstico, manejo e acompanhamento de pacientes com transtornos depressivos. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e quantitativo, realizado com 33 médicos vinculados à Estratégia Saúde da Família, por meio de questionário digital. Os dados foram analisados no software Jamovi, utilizando estatística descritiva, alfa de Cronbach, teste t de Student, ANOVA de Welch e correlação de Pearson. Os resultados demonstraram melhores escores nos domínios Tratamento (M = 3,87) e Rastreamento (M = 3,85), enquanto Referência e Contrarreferência apresentou o menor escore médio (M = 3,08), evidenciando fragilidades na coordenação do cuidado. A sobrecarga de trabalho e as dificuldades de comunicação com serviços especializados foram identificadas como importantes barreiras no processo diagnóstico. Embora tenham sido observados resultados favoráveis nas etapas iniciais do cuidado, persistem limitações relevantes na articulação da rede de atenção psicossocial. Conclui-se que o fortalecimento da APS em saúde mental depende da ampliação da integração entre os serviços, da qualificação dos fluxos assistenciais e da melhoria das estratégias de coordenação do cuidado.