Amauri Mesquita de Sousa, Julia Toaldo Mattos Mattos, Marianna Terra Grass, Juliano Lissarassa Zuchetto, Lucas Schmitt da Cruz, Ionara Antunes Terra, José Augusto Carvalho de Araújo
A crise estrutural que atravessa o Sistema Único de Saúde (SUS) tem comprometido a qualidade da assistência e desafiado os princípios da humanização do cuidado, especialmente nos serviços de urgência e emergência. Este estudo objetivou analisar os impactos da crise estrutural do SUS na (des)humanização do cuidado em serviços de urgência e emergência. Trata-se de revisão bibliográfica qualitativa e descritiva, realizada nas bases SciELO, LILACS e ferramenta Elicit, com recorte temporal de 2021 a 2025. Foram selecionados 42 estudos submetidos à análise por categorização temática com auxílio dos softwares Ryan QA e Zotero. Os resultados evidenciaram quatro categorias centrais: fatores estruturais da crise, manifestações da (des)humanização, impactos sobre usuários e profissionais e estratégias de resistência e práticas humanizadoras. O subfinanciamento crônico, a precarização do trabalho e a gestão fragmentada constituem a base material das práticas desumanizadoras, que se manifestam na fragilização do vínculo, no empobrecimento da escuta e na reprodução de violências simbólicas. Os impactos atingem usuários, que experimentam desassistência, e profissionais, que adoecem física e mentalmente. A enfermagem emerge como categoria estratégica para o cuidado humanizado. Conclui-se que a superação da (des)humanização exige transformações estruturais que articulem financiamento adequado, valorização profissional e participação social.