Terezinha Richartz, Andrea Henriques Palhares
A mielomeningocele (MMC) é um tipo de malformação congênita da coluna vertebral e da medula espinhal que pode provocar diversas sequelas físicas, motoras, sensoriais e cognitivas, impactando significativamente a vida social e escolar da pessoa com deficiência. Os avanços da neurocirurgia, pediatria, fisioterapia e demais áreas da Saúde têm possibilitado que crianças com sequelas de MMC estejam matriculadas na rede regular de ensino, convocando os profissionais da educação a compreenderem não apenas as especificidades da deficiência, mas também os desafios sociais, históricos e subjetivos que atravessam o processo de inclusão escolar. Este estudo tem como objetivo refletir sobre a mielomeningocele na perspectiva da subjetividade da ausência, problematizando os modos pelos quais a deficiência, o diagnóstico e os discursos produzidos socialmente podem reduzir o sujeito à sua limitação física e ao laudo que carrega. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica fundamentada em autores que discutem inclusão escolar, deficiência, subjetividade e processos de exclusão social. A pesquisa aponta que, para além das comorbidades e sequelas impostas pela MMC, faz-se necessário compreender que muitas pessoas com deficiência historicamente tiveram suas identidades construídas a partir da ausência e da incompletude. Nesse contexto, a inclusão escolar precisa possibilitar que o aluno com deficiência seja reconhecido em suas singularidades, potencialidades e formas próprias de participação social. Conclui-se que promover a verdadeira inclusão implica romper com práticas que reduzem o sujeito ao diagnóstico, valorizando a construção de práticas educacionais mais humanas, acolhedoras e comprometidas com a emancipação da pessoa com deficiência.