Zoilson Pinheiro Borges Junior, Érica Oliveira Salgado Pinheiro, Charles Klemz
A psicomotricidade, entendida como a integração entre corpo, movimento, afetividade e cognição, constitui uma abordagem pedagógica que reconhece o sujeito em sua totalidade, considerando formas diversas de aprender e interagir. No contexto escolar, especialmente em práticas voltadas à educação inclusiva, essa perspectiva favorece a construção de experiências significativas que promovem a participação e o pertencimento. Este Trabalho de Conclusão de Curso teve como objetivo analisar como intervenções psicomotoras podem contribuir para o desenvolvimento de alunos com necessidades educacionais específicas, em especial um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outro com mobilidade reduzida, matriculados em uma escola municipal da rede pública de Cuiabá-MT. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter descritivo e interventivo, sendo conduzida por meio de sessões psicomotoras planejadas com atividades de imitação, exploração sensorial, jogos de movimento e dinâmicas de interação. Os registros foram realizados por meio de diário de campo, possibilitando a análise interpretativa das vivências e das relações estabelecidas ao longo do processo. Observou-se que as intervenções favoreceram avanços na comunicação não verbal, na atenção conjunta e na ampliação da participação dos alunos nas atividades coletivas, indicando que o corpo, quando reconhecido como linguagem, possibilita formas mais amplas de expressão e vínculo. Os resultados obtidos evidenciam que a psicomotricidade atua como mediadora nas relações e na construção de vínculos, contribuindo para o fortalecimento da autonomia e para o sentimento de pertencimento dos estudantes no ambiente escolar. Conclui-se que, ao integrar movimento, afeto e interação, a psicomotricidade constitui estratégia pedagógica relevante para a promoção da inclusão escolar. Como desdobramento futuro, recomenda-se o desenvolvimento de estudos com amostras ampliadas, triangulação de dados por meio de entrevistas com familiares e professores e acompanhamento longitudinal ao longo de um ano letivo, de modo a aprofundar a compreensão sobre os efeitos das práticas psicomotoras no cotidiano educacional.