Edwilson Francisco Neves Filho, Kerolyn Ramos Kuhn, Flávio Jesus
A saúde mental perinatal constitui prioridade de saúde pública, e barreiras geográficas, econômicas e organizacionais podem restringir o acesso de puérperas ao cuidado oportuno. Este estudo teve como objetivo analisar evidências sobre tecnologias digitais utilizadas na promoção, no rastreamento e no cuidado em saúde mental no puerpério, considerando efetividade, aceitabilidade, segurança, barreiras e possibilidades de implementação. Trata-se de revisão integrativa da literatura, orientada pelas etapas de Whittemore e Knafl e relatada com elementos do PRISMA 2020. Foram consultadas PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde e SciELO para publicações de janeiro de 2019 a setembro de 2026, em português, inglês ou espanhol. A síntese incluiu 12 estudos primários publicados entre 2019 e 2025. Intervenções estruturadas de terapia cognitivo-comportamental via internet e modelos de psicoterapia remota apresentaram os resultados mais consistentes para redução de sintomas depressivos e ansiosos. Aplicativos psicoeducativos, mindfulness digital e chatbots mostraram aceitabilidade e benefícios potenciais, porém com efeitos heterogêneos, perdas de seguimento e resultados nulos em alguns desfechos. Os principais desafios foram conectividade, letramento digital, adesão, privacidade, validação clínica e existência de fluxos para situações de risco. Conclui-se que tecnologias digitais podem ampliar o acesso e complementar a rede assistencial, mas não substituem de forma indiscriminada a avaliação clínica ou o cuidado presencial. Sua incorporação requer suporte profissional proporcional ao risco, proteção de dados, adaptação sociocultural e integração aos serviços de saúde.