Gabriela Silva Melo, Joelmara Futado dos Santos Pereira, Kézia Cristina Batista dos Santos, Luciane Sousa P. Cardoso, Rafaela Dualibe Soares, Marcos Ronald Mota Cavalcante Lima, Brenna Suelen da Silva, Ilka Luanna Barros, Alynne Radoyk Silva Lopes
O período pós-parto configura-se como uma transição vital complexa, caracterizada por profundas modificações. Embora a maternidade seja associada a construções sociais romantizadas, a literatura científica evidencia que este ciclo gera sobrecarga emocional propícia a vulnerabilidades psíquicas. O objetivo deste estudo foi analisar o papel do enfermeiro na promoção da saúde mental de puérperas na Atenção Primária à Saúde (APS). Realizou-se uma revisão integrativa da literatura nas bases LILACS, BDENF, MEDLINE (via BVS) e SciELO, com busca complementar no Google Acadêmico (2011 a 2025). Incluíram-se artigos originais e completos em português e inglês; excluíram-se monografias, teses, revisões narrativas ou estudos de contexto hospitalar. A análise dos 23 artigos selecionados revelou que a escassez de suporte social, histórico depressivo e condições socioeconômicas precárias são os principais gatilhos para o adoecimento psíquico. Identificaram-se quatro eixos temáticos: fatores biopsicossociais associados à saúde mental no puerpério; principais transtornos mentais no puerpério; atuação da enfermagem na saúde mental materna; e estratégias e intervenções na APS. A visita domiciliar e a consulta de enfermagem mostraram-se eficazes para o rastreio precoce de sintomas via escalas de triagem, embora persistam barreiras na formação profissional e na ausência de protocolos estruturados para lidar com as dimensões psicossociais das puérperas. Ademais, o uso de tecnologias educativas, como cartilhas virtuais e oficinas, demonstrou-se fundamental para o letramento familiar e a qualificação da assistência. O estudo ressalta a urgência de fluxos específicos que garantam a integralidade do cuidado ao binômio mãe-filho.