Vera Lúcia Dionísio da Silva, Jane Márcia do Nascimento Teixeira Scorzelli, Marcelo Longo Freitas Mandarino, Luiz Henrique dos Santos, Cristiane da Silva Mendes, Camila Pinheiro Sabóia, Laurita Christina Bonfim Santos
A expansão da programação visual no Ensino Fundamental, exemplificada pelo uso do Scratch, tem sido associada ao desenvolvimento da criatividade, do pensamento computacional e da participação dos estudantes na cultura digital. Contudo, essas potencialidades não garantem, por si só, acessibilidade e inclusão. Este artigo tem como objetivo analisar as potencialidades, os limites e as condições pedagógicas, tecnológicas e institucionais relacionadas ao uso da programação visual em práticas inclusivas no Ensino Fundamental, tomando o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e o modelo social da deficiência como referenciais teórico-analíticos. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico, cujo corpus definitivo foi constituído por 11 estudos, selecionados a partir de critérios relacionados à programação visual, à inclusão escolar e à acessibilidade digital. Os resultados indicam que ambientes baseados em blocos podem reduzir dificuldades sintáticas iniciais e favorecer experimentação, autoria e articulação curricular, mas apresentam barreiras de acesso, percepção e interação que afetam de modo distinto diferentes estudantes. Verificou-se, ainda, que a Tecnologia Assistiva e o DUA desempenham funções complementares, e que a participação efetiva depende da distinção entre execução apoiada e execução substitutiva. Conclui-se que a programação visual constitui uma possibilidade pedagógica condicionada, cuja contribuição para a inclusão depende da articulação entre planejamento proativo, acessibilidade dos recursos, mediação docente e condições institucionais, e não da simples presença de blocos ou recursos lúdicos.