César Matos Costa, Yvens Ely Martins Cordeiro
O presente estudo analisou a percepção da comunidade escolar de uma unidade localizada em território tradicional no município de Moju, Amazônia, acerca da gestão democrática do conselho escolar, compreendida como um dispositivo de participação coletiva e de descentralização das decisões institucionais. O objetivo central consistiu em apreender como os diferentes sujeitos escolares — pais, estudantes, docentes e funcionários — interpretam e vivenciam as práticas participativas no cotidiano da escola. Para a consecução dos objetivos propostos, adotou-se como estratégia metodológica a realização de entrevistas semiestruturadas com representantes dos distintos segmentos da comunidade escolar, possibilitando a apreensão de narrativas, experiências e posicionamentos relativos à atuação do conselho escolar. Tal procedimento permitiu acessar dimensões subjetivas e contextuais da gestão democrática, ampliando a compreensão do fenômeno investigado. Os resultados evidenciaram que a maioria dos participantes demonstra domínio conceitual acerca da gestão democrática, reconhecendo sua relevância para a promoção da inclusão, do diálogo e da corresponsabilização nos processos decisórios. Observou-se, ainda, que pais e professores participam de forma mais assídua das reuniões, contribuindo com proposições voltadas ao aprimoramento das práticas escolares. Entretanto, emergiram tensionamentos significativos, sobretudo no que concerne à participação discente, cuja escuta foi percebida como limitada. Ademais, foram apontados entraves estruturais e comunicacionais, como a escassez de tempo, fragilidades na transparência e insuficiência de canais de comunicação, os quais comprometem a efetividade do processo participativo. Conclui-se que, embora a gestão democrática seja reconhecida como valor estruturante pela comunidade escolar, sua materialização demanda a implementação de estratégias que qualifiquem a transparência, ampliem a comunicação institucional e fortaleçam a participação equitativa de todos os segmentos, especialmente dos estudantes. Nesse sentido, a consolidação do conselho escolar como instância deliberativa exige enfrentamento contínuo de barreiras culturais e organizacionais.