Marco Antônio Teixeira de Paula, Silvia Clicia Corrêa dos Santos de Paula, Charles Klemz
O presente artigo analisa criticamente o journaling como prática contemporânea de experimentação e elaboração subjetiva, cuidado de si e busca de sentido entre adolescentes da Geração Alfa em contextos mediados por plataformas digitais. Parte-se da hipótese de que o crescimento de práticas de escrita de si nas redes sociais expressa, simultaneamente, tanto a intensificação da lógica performática da cultura digital quanto tentativas subjetivas de reorganização emocional diante da fragilidade dos vínculos contemporâneos. Conforme discutido por Paula, Paula e Klemz, a juventude atual enfrenta desafios complexos decorrentes do enfraquecimento das referências tradicionais e da volatilidade social. Em uma sociedade marcada pela hiperexposição, pela aceleração comunicacional e pela dependência de validação externa, os adolescentes experienciam, paradoxalmente, o excesso de conectividade e a carência de vínculos profundos. Nesse cenário, práticas como o journaling emergem como formas de autoescuta e interioridade, configurando-se como recursos subjetivos e espirituais vitais para o enfrentamento de crises existenciais e institucionais. Fundamentado nas contribuições de Michel Foucault, Byung-Chul Han, Zygmunt Bauman, Viktor Frankl, Leonardo Boff e nas produções recentes sobre a condição adolescente, o estudo problematiza as relações entre plataformas digitais, intimidade performativa, espiritualidade e escrita de si. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e teórico-reflexiva. Conclui-se que o journaling pode operacionalizar tanto como uma prática capturada pelas lógicas de visibilidade das plataformas, quanto como um exercício ético de edificação simbólica, cuidado de si e reconstrução de sentido diante da fragmentação emocional contemporânea.