Marco Antônio Teixeira de Paula, Silvia Clicia Corrêa dos Santos de Paula, Charles Klemz
Este artigo, de natureza teórico-reflexiva, analisa a espiritualidade como dispositivo de subjetivação mobilizado por trabalhadores diante da crise institucional, estrutural e política enfrentada pelos Correios. Fundamentado nas contribuições de Viktor Frankl, Erik Erikson e Michel Foucault, o estudo problematiza de que modo a busca de sentido, os processos de (re)configuração identitária e as práticas de cuidado de si podem operar como estratégias subjetivas de estruturação psíquica e ética em contextos laborais marcados por instabilidade contínua, precarização do trabalho, insegurança profissional e sofrimento emocional. Longe de uma abordagem individualizante ou compensatória, a análise enfatiza a espiritualidade como dimensão crítica da experiência laboral, articulada às relações de poder e às condições institucionais que produzem o sofrimento no trabalho. Por fim, o artigo destaca a necessidade de reconhecer a centralidade da dimensão subjetiva na formulação de políticas organizacionais e institucionais compromissadas com a valorização humana, a saúde emocional e a dignidade dos trabalhadores dos correios.