Marcos Paulo Alves de Freitas
Este artigo analisa o Paesismo a partir da Sociologia Política, com o objetivo de compreendê-lo como uma racionalidade de governança urbana no contexto brasileiro pós-polarização. Metodologicamente, o estudo adota abordagem qualitativa, de natureza analítico-interpretativa, fundamentada em revisão crítica de estudos empíricos da Ciência Política e do Direito Constitucional. Os resultados indicam que os chamados pilares paesistas, pragmatismo gerencial, produção simbólica e articulação política transversal operam como dispositivos de legitimação, ordenamento do conflito e reorganização do poder local. Conclui-se que o Paesismo não configura uma ideologia política clássica, mas uma racionalidade governamental orientada à estabilização institucional, que responde à crise de legitimidade da política ideológica e à centralidade da cidade como espaço estratégico de gestão e consenso, tensionando, contudo, os fundamentos democráticos do dissenso político.