Nívea dos Reis Bernardes, Jose Elenilson Cruz
Este artigo analisa os fatores determinantes da competitividade das agroindustrias de laticínios do estado de Goiás, sob a perspectiva da competitividade sistêmica, e mensura o nível de concentração do setor de laticínios no Brasil entre 2010 e 2020. A abordagem teórica ancora-se no modelo de Coutinho e Ferraz (1994), que decompõe a competitividade empresarial em fatores internos, estruturais de mercado e sistêmicos. Metodologicamente, o presente artigo combina análise descritiva de concentração industrial por meio dos índices de Razão de Concentração CRk (CR4 e CR8) e do Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH) com survey junto a 27 agroindustrias goianas, cujos dados foram analisados por Modelagem de Equações Estruturais com Mínimos Quadrados Parciais (PLS-SEM). Os resultados revelam grau de concentração moderadamente alto para o CR4 (média de 64,65%) e alto para o CR8 (média de 86,84%), enquanto o IHH oscilou entre 0,117 e 0,154, indicando concentração moderada. No modelo estrutural (R² ajustado = 0,685; GoF = 0,6955), apenas os fatores estruturais de mercado exercem efeito positivo e significativo sobre a competitividade (β = 0,902; p < 0,05), ao passo que os fatores internos (β = -0,042; p > 0,05) e sistêmicos (β = -0,038; p > 0,05) não se mostram estatisticamente relevantes. Esses achados evidenciam que a configuração da indústria, a dinâmica de mercado e o regime de incentivos e regulação constituem os pilares centrais da competitividade setorial, sugerindo que políticas públicas orientadas à reestruturação industrial e ao fortalecimento das condições de mercado têm maior poder de impacto do que intervenções isoladas ao nível da firma.