Ana Caroline da Silva Lopes, Helen Cristina dos Santos Oliveira
A ausência de triagem psicológica estruturada pode comprometer o encaminhamento clínico adequado e elevar o custo emocional do paciente, favorecendo a desistência precoce do tratamento. Este artigo tem como objetivo analisar as possibilidades e os limites da utilização da Inteligência Artificial (IA) como ferramenta de apoio à triagem psicológica, em associação a instrumentos psicométricos aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Para tanto, realizou-se uma revisão bibliográfica narrativa de caráter exploratório, fundamentada em produções científicas sobre avaliação psicométrica, ética profissional em psicologia e aplicações da IA na saúde mental. Os resultados indicam que a IA possui potencial significativo para organizar dados iniciais do paciente, identificar padrões sintomáticos e personalizar o encaminhamento clínico, com modelos atingindo até 97% de precisão na identificação de sintomas. Contudo, os achados reafirmam que a atuação do psicólogo não pode ser substituída por sistemas artificiais, dado que a escuta clínica, a empatia autêntica e o julgamento ético permanecem competências exclusivamente humanas. A proposta se fundamenta na Resolução CFP nº 31/2022 e na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), assegurando que a tecnologia opere estritamente como suporte sob responsabilidade técnica do psicólogo.