Albert Bacelar
A disseminação de modelos de linguagem alterou a produção textual em educação, comunicação profissional, saúde, direito, negócios e divulgação pública. Textos mediados por inteligência artificial exibem marcas recorrentes de arquitetura discursiva: simetria excessiva, generalidade confortável, encadeamento fraco entre prova e consequência, polidez inflada, vocabulário previsível, ausência de cena, baixa materialidade e fechamento formulaico. Este artigo analisa um corpus técnico-documental de geração textual profissional e o organiza como taxonomia aplicada para reconhecer vícios de escrita associados à inteligência artificial, indicar técnicas de recomposição textual e propor um modelo de prompt voltado à produção, revisão e auditoria de textos em diferentes gêneros. O estudo adota abordagem qualitativa, documental e analítica, articulada a literatura recente sobre detecção de textos gerados por IA, prompt engineering, letramento em IA, integridade editorial, alucinações, escrita médica e prática jurídica. Os resultados apresentam matriz de literatura utilizada; inventário integral das técnicas que devem ser solicitadas; inventário dos vícios que devem ser abandonados; restrições absolutas e termos interditados; protocolo de reconhecimento textual em camadas; matriz de aplicação por finalidade comunicativa; subparte de segurança para Medicina e Direito; e prompt técnico sugerido. O reconhecimento de texto de IA exige leitura discursiva em camadas. A autoria situada aparece por decisão lexical, prova, corte, consequência, risco e responsabilidade epistêmica.