Márcio Nunes de Carvalho
Numa narrativa similar a um conto, o autor descreve no que chamou de uma face de complexa experiência psicanalítica acontecida em dois tempos, cada um com uma demanda diferente da do outro, desafios à psicanálise e ao psicanalista nestes tempos atuais de Inteligência Artificial. O autor descreve um analisando que fantasia uma “ilha deserta” onde, com um radinho de pilha, poderia reencontrar silêncio, interioridade e um “marco zero”. Em contraponto ao celular e às redes, ele vê a IA como força antissolidão que o arrasta para fora de si e ameaça “extinguir” sua criatividade. A conversa evolui para uma mitologia pessoal: Aquiles flechado pela “deusa IA”, Robinson Crusoé cercado de “sextas-feiras”, e a busca de uma “bússola” analítica. O autor conjectura que a batalha contra a IA encobre um conflito psíquico mais antigo, com angústia de castração, rivalidade e ódio vingativo, compondo um palco edipiano. Um “blackout” interrompe a primeira análise, mas o retorno reabre o trabalho e o dilema “ser ou não ser” em tempos de IA.