Valeria De Oliveira Ambrosio, Sheila Aparecida Ribeiro Furbino, MARILENY BOECHAT FRAUCHES BRANDÃO, Clara Cristina Pires Assis, Lara Brito, Caio Silva, Thamilly Borborema, Leonardo Oliveira Leão e Silva, Maria Aparecida de Lima
A endometriose é uma patologia inflamatória crônica que afeta órgãos pélvicos e abdominais, podendo causar dores severas e infertilidade. Este estudo objetivou analisar o panorama das hospitalizações por endometriose na Região Sudeste do Brasil entre 2015 e 2024, investigando indicadores de morbimortalidade, distribuição sociodemográfica e o impacto financeiro no Sistema Único de Saúde (SUS). Realizou-se um estudo ecológico, descritivo e quantitativo, com coleta de dados secundários via Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Os resultados revelaram um total de 53.105 hospitalizações, concentradas majoritariamente nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A faixa etária predominante foi de 30 a 49 anos, evidenciando o diagnóstico tardio durante o período reprodutivo avançado. Embora a taxa de mortalidade global tenha sido baixa (0,15), observou-se uma letalidade proporcional superior entre mulheres pretas (0,11%) em comparação às pardas e brancas, sugerindo barreiras estruturais no acesso ao cuidado e subdiagnóstico. O custo total das internações superou R$ 32,5 milhões, refletindo a alta complexidade dos casos que chegam à rede hospitalar. Conclui-se que a endometriose no Sudeste é marcada por desigualdades étnico-raciais e expressivo ônus econômico, demandando políticas públicas que fortaleçam o diagnóstico precoce e a equidade na assistência à saúde da mulher no SUS.