Fernanda Germani de Oliveira Chiaratti
Este estudo investiga a relação entre práticas linguísticas maternas e o desenvolvimento da compreensão de crença falsa em crianças da Educação Infantil, considerando suas implicações para o desenvolvimento da Teoria da Mente. A Teoria da Mente refere-se à capacidade de atribuir estados mentais — como crenças, desejos, intenções e emoções — a si mesmo e aos outros, permitindo interpretar e prever comportamentos em contextos sociais. Pesquisas na área da psicologia do desenvolvimento indicam que essa habilidade emerge gradualmente na infância e está fortemente associada às experiências sociais e linguísticas vivenciadas pelas crianças. Interações familiares que envolvem conversações sobre pensamentos, sentimentos e intenções tendem a favorecer a construção da compreensão dos estados mentais. Nesse contexto, o estudo analisa os efeitos de um programa de intervenção com mães orientado ao uso de linguagem explicativa sobre estados mentais durante interações cotidianas com seus filhos. A fundamentação teórica articula estudos clássicos e contemporâneos sobre Teoria da Mente, desenvolvimento sociocognitivo e o papel da linguagem nas interações sociais. Os resultados apontam que experiências linguísticas que enfatizam termos mentalistas podem contribuir para potencializar o desempenho infantil em tarefas de crença falsa. Além disso, discutem-se implicações pedagógicas para a Educação Infantil, destacando o papel das interações linguísticas, das narrativas e das brincadeiras simbólicas na promoção do desenvolvimento sociocognitivo. Conclui-se que práticas educativas e familiares que valorizam conversações sobre estados mentais podem favorecer a compreensão da mente do outro e contribuir para o desenvolvimento das habilidades sociais e comunicativas na infância.