Terezinha de Cássia Musscopf Dörr, Greicon Wagner Vogelmann Becker
Este artigo analisa as representações do totalitarismo nas obras principais de George Orwell — 1984, A Revolução dos Bichos e Dias na Birmânia — à luz dos conceitos teóricos desenvolvidos por Hannah Arendt em As Origens do Totalitarismo e outros textos fundamentais. A pesquisa adota uma abordagem interpretativa e comparativa, buscando demonstrar como as narrativas orwellianas materializam, por meio da ficção e da experiência vivida, os mecanismos de dominação totalitária descritos por Arendt: a atomização das massas, a destruição da esfera pública, a manipulação da verdade, o terror sistemático e a transformação do ser humano em um "ser supérfluo". O estudo revela que, embora Orwell e Arendt tenham trajetórias e perspectivas distintas, ambos compartilham uma preocupação central com a ameaça do totalitarismo à liberdade humana e à dignidade política, oferecendo contribuições complementares para a compreensão desse fenômeno histórico e político.