Marcelo Carvalho Ribeiro, Mauro Beirão
Este artigo examina como a governança em defesa pode contribuir para transformar lições estratégicas contemporâneas e demandas tecnológicas emergentes em capacidades nacionais sustentáveis para o Brasil. O argumento central é que o desafio brasileiro não consiste apenas em identificar capacidades críticas, como sistemas não tripulados, inteligência artificial, ciberdefesa, logística resiliente, defesa antiaérea, defesa costeira e dissuasão estratégica. O desafio decisivo está em institucionalizar mecanismos de governança capazes de priorizar, financiar, monitorar e coordenar essas capacidades por meio do Ministério da Defesa, das Forças Armadas, da Base Industrial de Defesa, das universidades, dos centros de pesquisa e do setor produtivo. O artigo adota uma perspectiva de governança em defesa baseada em liderança, estratégia e controle, com ênfase em governança de portfólio, gestão de riscos, assurance, indicadores de desempenho, coordenação interagências e interface civil qualificada. Metodologicamente, combina análise documental, revisão bibliográfica seletiva e interpretação institucional de tendências contemporâneas em defesa, tecnologia e inovação. A contribuição principal consiste em propor uma matriz de governança de capacidades tecnológicas em defesa para o Brasil, conectando diagnóstico estratégico, capital humano tecnológico, inovação industrial, gestão de riscos, coordenação institucional e accountability. Conclui-se que a autonomia em defesa depende não apenas da aquisição de sistemas avançados, mas da existência de rotinas institucionais estáveis capazes de converter alertas estratégicos em capacidades efetivas, sustentáveis e verificáveis.