Marcelo Barros de Vasconcellos, Gabriele Oliveira Blant, Luciane Santos Restier Da Fontoura, Fátima Priscila Morela Edra
O afogamento é um evento silencioso, rápido e constitui um importante problema de saúde pública nas Américas. Além de ser negligenciado, jovens recebem educação insuficiente sobre sua prevenção. O objetivo deste estudo foi acompanhar as mudanças no Nível de Conhecimento Preventivo de Afogamento (NCPA) em crianças e adolescentes escolares do Rio de Janeiro, Brasil. Trata-se de um estudo longitudinal realizado entre 2022 e 2026, com estudantes do Ensino Fundamental (5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos) e do Ensino Médio (1º e 2º anos) do CAp-UERJ. Foram acompanhadas 12 turmas, totalizando 334 alunos. Destas, quatro turmas (n=110) cursavam o 9º ano, quatro turmas (n=117) o 1º ano do Ensino Médio e quatro turmas (n=107) o 2º ano, avaliadas em cinco momentos (2022, 2023, 2024, 2025 e 2026). O questionário estruturado de NCPA, composto por três partes e 20 itens, foi aplicado na escola. Na primeira parte, os alunos correlacionavam figuras universais utilizadas em placas de prevenção de afogamento com seus respectivos significados (7 questões). Na segunda parte, relacionavam as cores das bandeiras (verde, amarela e vermelha) com as condições de banho no mar (3 questões). Na terceira parte, assinalavam “sim” ou “não” para afirmações relacionadas a comportamentos adequados no ambiente aquático (10 questões). Cada turma recebeu cinco intervenções pedagógicas anuais com base nos resultados individuais do NCPA. Os resultados indicaram uma tendência de melhora ao longo do período (2022–2026) no conhecimento do significado das ilustrações presentes nas sete placas de prevenção de afogamento, destacando-se a placa 1 (guarda-vidas ausente), com aumento de 15 pontos percentuais. Também houve melhora no conhecimento das bandeiras (verde, amarela e vermelha), com aumentos de 12, 14 e 12 pontos percentuais, respectivamente. Observou-se ainda melhora nas 10 atitudes investigadas, com destaque para o grupo acompanhado do 5º ao 9º ano, que evoluiu de 77% para 100% de acertos. Nesse mesmo grupo, o NCPA apresentou aumento significativo de 21 pontos percentuais. De forma geral, verificou-se melhora do NCPA em todos os anos de escolaridade analisados, com tendência linear de melhor desempenho conforme o avanço escolar. Conclui-se que as intervenções educativas escolares, sistemáticas, contínuas e de baixo custo foram eficazes para promover melhorias significativas no Nível de Conhecimento Preventivo de Afogamento (NCPA) em crianças e adolescentes. Ao longo do quinquênio (2022-2026), observou-se evolução consistente tanto no domínio conceitual na identificação de placas e bandeiras, quanto nos aspectos atitudinais relacionados à segurança em ambientes aquáticos, culminando em níveis elevados de desempenho, com predominância de classificações “excelentes” entre os escolares. Programas educativos baseados em conteúdos conceituais e atitudinais, aliados a instrumentos diagnósticos como o NCPA, são ferramentas relevantes para orientar intervenções mais eficazes e direcionadas. A ampliação e a institucionalização dessas ações no currículo escolar podem contribuir de maneira significativa para a redução de incidentes e mortes por afogamento, formando indivíduos mais conscientes, prudentes e capazes de tomar decisões seguras em ambientes aquáticos ao longo da vida.