Luiz Fernando Ridolfi, Izabel Janaína Barbosa da Silva, Leonardo Martins de Araujo, Jussarah Santos Garcia Leão, Debora Regina de Oliveira Paiva, Raquel Corradi Magalhães, Roberta Fonseca de Oliveira Lara, Elisa Neide Barbosa de Souza
A crescente complexidade dos sistemas públicos de saúde, associada a restrições orçamentárias e à ampliação das demandas assistenciais, tem intensificado o debate sobre a necessidade de modelos de gestão capazes de assegurar eficiência, qualidade e sustentabilidade. Nesse contexto, a gestão da qualidade emerge como estratégia central para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), embora sua implementação ainda enfrente desafios institucionais e organizacionais significativos. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente as contribuições, os limites e os desafios associados à adoção do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) no âmbito do SUS, a partir de uma revisão integrativa da literatura científica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e analítico, conduzida nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (LILACS, BDENF e IBECS), contemplando artigos publicados entre 2018 e 2023. Após a aplicação de critérios rigorosos de inclusão e exclusão, treze estudos compuseram a amostra final. A análise dos dados foi realizada por meio de análise temática, permitindo a construção de eixos analíticos que expressam as principais contribuições e limitações da gestão da qualidade no contexto da saúde pública brasileira. Os resultados evidenciam que a adoção de práticas de gestão da qualidade favorece a padronização de processos, o fortalecimento da cultura organizacional, a melhoria da tomada de decisão e o aprimoramento da segurança do paciente. Contudo, identificam-se obstáculos estruturais relevantes, como fragilidades na governança, descontinuidade administrativa, insuficiência de capacitação gerencial e resistência organizacional, que limitam a efetividade e a sustentabilidade dessas iniciativas. Conclui-se que a gestão da qualidade constitui um instrumento estratégico para a qualificação da gestão pública em saúde, desde que articulada a políticas institucionais consistentes, investimento em desenvolvimento organizacional e fortalecimento da capacidade estatal. O estudo contribui para o avanço do debate acadêmico ao propor uma leitura crítica e contextualizada da gestão da qualidade no SUS, superando abordagens meramente normativas e oferecendo subsídios teóricos e analíticos para a formulação de políticas e práticas gerenciais mais efetivas.