Camila Maria Bortot, Elisângela Alves da Silva Scaff, Chocolate Adão Brás
Este texto resulta das pesquisas desenvolvidas no âmbito da Rede de Investigação em Políticas e Gestão da Educação “Pontes Lusófonas”. Situa a gestão educacional lusófona no cruzamento entre dinâmicas de regulação transnacional e especificidades históricas, políticas e institucionais de quatro países de língua portuguesa: Brasil, Portugal, Angola e Guiné-Bissau, com foco na multiplicidade de escalas, atores e modos de regulação que atravessam os sistemas educativos contemporâneos, incluindo os instrumentos de avaliação e responsabilização docente e as tensões entre gestão democrática e gerencial. A metodologia desenvolvida privilegia a análise dos textos que compõem o Dossiê intitulado “A Gestão Educacional no Espaço Lusófono: entre a Regulação Transnacional e as Especificidades Nacionais”, considerando, a princípio, a distância entre orientação normativa e prática escolar em Angola, passando pela disputa em torno da gestão democrática no Brasil, pela extensão universitária e pela formação docente angolana, chega à governação multinível em Portugal e ao direito à educação básica na Guiné-Bissau, e se encerra com as agendas neoliberais e a privatização do ensino em Angola. Os resultados permitem compreender que a Regulação Transnacional não constitui um processo neutro de difusão de modelos educacionais, mas uma expressão das relações desiguais de poder, marcadas por diferentes graus de dependência econômica, financeira e técnica, que organizam a circulação internacional das políticas educacionais. A gestão educacional lusófona, nesse sentido, não deve ser lida como um recorte regional de um fenômeno já descrito para outros contextos, mas como um campo teórico autônomo, cuja compreensão exige atenção às tensões entre regulação e autonomia relativa, e entre democratização e gerencialismo.