Meg Harris Williams, Marisa Mélega
Este ensaio desenvolve uma compreensão pós-kleiniana do significado dos sonhos, apoiada em Wilfred Bion e Donald Meltzer. Para além da concepção freudiana do sonho como realização de desejos a serviço do sono, argumenta-se que os sonhos são eventos reais da mente, que transformam a fantasia inconsciente em vez de apenas registrá-la: sonhar é uma forma de pensamento inconsciente. Aproximando o sonho do mito e da arte, a autora contrasta dois modos de conhecer – a inteligência onipotente do “solucionador de enigmas” e o receptivo “caminho do sonho” –, ilustrados por Hamlet e Édipo rei. Por fim, examina a tarefa do analista, distinguindo a interpretação da reverie interpretativa e mostrando como a exploração compartilhada do sonho gera formação de símbolos e capacidade autoanalítica.