Maria Aparecida Viggiani Bicudo
Neste artigo é constatada a polissemia do termo vivência, tal como ele é tratado por muitos autores que, em virtude da ausência de uma tematização mais explícita da palavra e de suas implicações filosóficas, leva muitos pesquisadores iniciantes a banalizarem significados possíveis. Frente a essa observação, propõe-se retomar o termo Erlebnis à luz do pensar de Edmund Husserl e destacar o próprio ato de conhecer, entendido no âmago desse pensar filosófico, como não sendo apenas o ato de representar ou de descrever o que está fora, mas de vivenciar o aparecer das coisas como sentido dado na experiência. Assumindo que toda experiência consciente é uma Erlebnis e que Erlebnis é uma vivência estruturada pela intencionalidade, em que algo é vivenciado como algo e, ainda, que essa estrutura acompanha e constitui o conhecimento; expõe-se, ao longo do artigo, que consciência e Erlebnis não são esferas distintas, mas se coimplicam estruturalmente.