Nayanne da Ponte Meneses, Jordana Beatriz de Marco Carneiro, Deise Matos do Amparo
O presente artigo discute as catástrofes de simbolização e seus efeitos sobre o analista na clínica psicanalítica contemporânea, especialmente nos casos marcados pelo retorno do clivado, pela fragilidade dos objetos internos e pelas patologias do ato. Propõe compreender a reverie do analista como uma função continente construída sob medida para as necessidades emocionais do analisando. Argumenta-se que a continência antecede o pensar, uma vez que a capacidade de pensamento depende de uma experiência relacional prévia capaz de acolher, transformar e simbolizar estados emocionais ainda não representados. Discute-se, ainda, o papel da contratransferência, da companhia viva e da sobrevivência do objeto na promoção da simbolização, da reflexividade e da internalização da função alfa. Conclui-se que a reverie do analista favorece a constituição de um espaço psíquico capaz de transformar experiências traumáticas em representações simbolizáveis, possibilitando a retomada do desenvolvimento emocional e a emergência da gratidão em relação ao novo objeto internalizado.