Victor Farah Brahim, Bartholomeu de Aguiar Vieira
Nosso ponto de partida é o supereu hostil a que Freud faz alusão em “Compêndio de psicanálise”, publicado postumamente em 1940. Pacientes com essa estrutura superegoica tão severa sofrem de um sentimento de culpa inconsciente de tal magnitude que impede sua sensibilidade, deixando suas análises paralisadas. Isso posto, nos perguntamos o que torna um supereu tão hostil a ponto de configurar um caso grave. Para responder a essa pergunta, seguimos a metodologia de uma pesquisa bibliográfica narrativa e intencional, utilizando recortes das obras de Freud e de Ferenczi, além da interlocução com autores contemporâneos que dialogam com o tema. Nosso resultado foi uma investigação sobre a gênese do supereu hostil em relação ao sentimento de desamparo, que aparece como um pivô da formação do supereu de forma geral. Depreende-se que a severidade do supereu guarda uma relação de proporcionalidade com a intensidade do sentimento de desamparo. Outro resultado dessa pesquisa foi termos encontrado na traumatologia ferencziana insumos teóricos que apontam para a precocidade do trauma desmentido e a identificação com o agressor consequente como elementos desestruturantes do narcisismo infantil e, assim, geradores de um profundo sentimento de desamparo, ingredientes do que viria a ser o supereu hostil patológico e paralisante.