Claudio Castelo Filho
O autor defende que a sexualidade é uma força primordial da vida psíquica e descreve que, a despeito das aparências, é contumaz o moralismo na prática e pensamento psicanalíticos, a busca por reprimi-la ou normatizá-la. Argumenta que o papel do analista não é adaptar os pacientes às convenções sociais ou religiosas (amiúde a própria teoria “científica” utilizada e aplicada é impregnada desses valores), mas ajudá-los a reconhecer e pensar seus impulsos e desejos sem preconceito. Mostra, por meio de exemplos clínicos, institucionais, históricos e mitológicos, como tabus e hipocrisias institucionais produzem sofrimento e silêncio sobre a vida sexual. Conclui que a finalidade de uma análise é a de apresentar um indivíduo para ele mesmo, seja lá o que isso for, de modo a poder estabelecer um relacionamento genuíno consigo mesmo – caso não esteja em litígio consigo mesmo, pode tornar-se mais capacitado a lidar com as demandas e conflitos internos e sociais que se apresentam.