Francisca das Chagas Oliveira, Francisco Arlon de Oliveira Chaves, ANDRESON DE FRANÇA ALMEIDA, Evandro de Carvalho Ribeiro, Roberval Soares das Neves, Eugenia Maria dos Santos Cordeiro, Gilvan Moreira da Paz
Este estudo avalia a viabilidade técnica e ambiental do uso de massará lavado em substituição à areia convencional na produção de concreto. A caracterização mineralógica por DRX e FRX revelou que ambos os materiais são predominantemente silicosos, com o quartzo como fase principal. A areia apresentou 91,36% de SiO₂, enquanto o massará, apesar do menor teor de sílica (73,71%), exibiu mineralogia mais complexa, com presença de caulinita (16,62% de Al₂O₃) e feldspatos, evidenciada também pelos teores de K₂O e perda ao fogo. Do ponto de vista físico, observou-se diferença granulométrica significativa: o massará apresentou módulo de finura 2,61, caracterizando-se como areia média com tendência a material mais grosso, próximo a uma areia grossa, enquanto a areia convencional apresentou MF 1,93, sendo classificada como areia fina. Essa granulometria mais elevada do massará favorece melhor empacotamento dos grãos e menor índice de vazios, ao passo que a areia fina aumenta a área específica e a demanda de água. Os ensaios mecânicos demonstraram a superioridade do massará, que atingiu 43,48 MPa aos 91 dias, superando a referência em 32%. A análise estatística (ANOVA e Tukey) confirmou que o massará atinge, aos 7 dias, resistência equivalente à areia aos 28 dias (p < 0,001). Conclui-se que o melhor empacotamento granulométrico do massará, aliado à sua composição mineralógica, potencializa a resistência e durabilidade do concreto, configurando-se como alternativa sustentável à extração de areia em leitos de rios.