Fabiano Pedroso, Charles Klemz
Este artigo investiga se o uso recorrente e estruturado da poesia hebraica nos oráculos do profeta Amós funciona como estratégia retórica ou constitui mera reprodução de forma tradicional. A partir de análise literária de passagens selecionadas do livro de Amós, com ênfase nos recursos do paralelismo, do quiasmo e dos pares fixos de palavras, argumenta-se que a forma poética, longe de ser ornamental, funciona como estratégia retórica. Ela estrutura a eficácia comunicativa dos oráculos, intensificando o impacto emocional, facilitando a memorização oral e conferindo força persuasiva à mensagem profética. O estudo dialoga com a teoria da poesia hebraica bíblica (Alter, Berlin) e com estudos sobre profecia e retórica no Antigo Testamento.