Maria Lara Rodrigues De França, Ângela Sousa De Carvalho, Andréa Conceição Gomes Lima, Michelle Vicente Torres, Abimael De Carvalho
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e exerce papel central na organização do cuidado. Nesse cenário, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) assumem função estratégica ao atuarem como ponte entre os serviços de saúde e a comunidade, fortalecendo o acesso, o vínculo e a integralidade da atenção. Essa atuação ocorre em territórios frequentemente marcados por vulnerabilidades sociais, o que intensifica os riscos à saúde mental desses trabalhadores. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo identificar, na literatura científica, os impactos dos processos de trabalho e suas implicações para a saúde mental dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados Scielo, Lilacs, Medline e Portal de Periódicos da CAPES. As buscas ocorreram entre setembro e novembro de 2025, utilizando os descritores “Agente Comunitário de Saúde”, “Saúde Mental” e “Atenção Primária à Saúde’, combinados entre si, bem como seus correspondentes em inglês. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português e inglês. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, 13 estudos compuseram a amostra. Os estudos analisados evidenciaram associação entre o adoecimento mental e os processos de trabalho na APS, manifestado por transtornos mentais comuns, estresse ocupacional, ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Entre os principais fatores associados, destacaram-se a sobrecarga de trabalho, precarização das condições de trabalho, baixa valorização profissional, insatisfação salarial, exposição à violência nos territórios e a fragilidade do suporte institucional. Estudos com recortes de gênero indicaram maior vulnerabilidade das mulheres ao sofrimento psíquico. Esses fatores apresentaram maior impacto no contexto da pandemia de COVID- 19, com persistência de indicadores de sofrimento psíquico no período pós-pandêmico. Conclui-se que os processos de trabalho na APS impactam significativamente a saúde mental dos ACS, evidenciando o adoecimento como resultado de determinantes organizacionais e estruturais do trabalho.