Mayara da Silveira de Candido, Igor Vargas Rodrigues Velho, Carla Azambuja Centeno Bocchese, Eléia Righi, Renata de Oliveira Santos
A produção mundial de hortaliças e frutíferas é essencial para o fornecimento de nutrientes necessários a uma dieta balanceada. Entretanto, essas culturas enfrentam desafios significativos relacionados às doenças, especialmente as foliares, que comprometem a qualidade e a produtividade. Esses problemas são favorecidos por fatores ambientais, como elevada umidade e temperaturas altas, que contribuem para a disseminação de patógenos, exigindo monitoramento constante e a adoção de técnicas eficientes de manejo. A correta identificação dos problemas fitossanitários é fundamental para evitar erros de diagnóstico e o uso inadequado de agrotóxicos. Nesse contexto, a Clínica Fitossanitária (CF) desempenha um papel indispensável na agricultura brasileira, contribuindo para a redução de prejuízos econômicos e de impactos ambientais. Este trabalho teve como objetivo caracterizar os principais problemas fitossanitários em hortaliças atendidas pela CF no município de Vacaria (RS). A metodologia consistiu no diagnóstico de 72 amostras de plantas provenientes de hortas domésticas. Para a identificação dos agentes causais, foram utilizados equipamentos laboratoriais de rotina e bibliografia especializada. Os órgãos vegetais com maior incidência de problemas fitossanitários foram os frutos e as folhas, com frequências relativas (FR) de 41,3% e 39,3%, respectivamente. Entre as famílias botânicas diagnosticadas, a Solanaceae apresentou a maior representatividade (21,73%). Quanto à etiologia, observou-se predominância de patógenos fúngicos, correspondendo a 82,8% das amostras, seguidos por bacterioses (10,9%) e danos causados por insetos-praga (6,3%). Os gêneros fúngicos com maiores frequências relativas foram Colletotrichum sp. (21,73%), Fusarium sp. (17,39%) e Alternaria sp. (13,4%). Nesse contexto, destaca-se o papel fundamental da Clínica Fitossanitária na correta identificação dos agentes causais, contribuindo para decisões mais assertivas, redução do uso inadequado de agrotóxicos e mitigação de prejuízos econômicos e ambientais.