Tássio Rômulo Silva Araújo Luz, Maria Fernandes Nunes Silva Lima, Sarah de Sousa Moreira, Maria Vitória Vanderlei de Alencar Soares, Ricardo Barbosa de Sousa, Lucas da Costa Carvalho, José Antônio Costa Leite, Milena Martins Máximo
As arboviroses transmitidas por Aedes aegypti representam um dos principais desafios de saúde pública em regiões tropicais, especialmente no Brasil, onde fatores ambientais e urbanos favorecem a proliferação do vetor. Nesse contexto, o uso de produtos naturais, como óleos essenciais, tem sido investigado como alternativa sustentável aos inseticidas sintéticos. O presente estudo teve como objetivo avaliar a composição química, a atividade larvicida e a toxicidade do óleo essencial de Origanum vulgare L. coletado na Amazônia Legal frente a Aedes aegypti. O óleo essencial foi obtido por hidrodestilação em aparelho de Clevenger e analisado por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). A atividade larvicida foi determinada em larvas de terceiro estádio de A. aegypti seguindo metodologia da Organização Mundial da Saúde, enquanto a toxicidade foi avaliada pelo bioensaio com Artemia salina. O rendimento do óleo essencial foi de 1,9%, com predominância de monoterpenos (93,03%), destacando-se terpinoleno (27,89%), γ-terpineno (19,03%), carvacrol (14,28%) e terpinen-4-ol (13,75%). O óleo apresentou atividade larvicida relevante, com CL₅₀ de 95,6 µg/mL e CL₉₀ de 254,7 µg/mL, indicando potencial para controle do vetor. Entretanto, o bioensaio de toxicidade indicou CL₅₀ de 76,6 µg/mL para A. salina, classificando o óleo como altamente tóxico para esse organismo. Os resultados demonstram que o óleo essencial de O. vulgare possui potencial como agente larvicida natural, embora estudos adicionais de segurança ecológica sejam necessários para avaliar sua aplicação em programas de controle vetorial.