Jack Brandão
Este artigo, inserido no quadro mais amplo da iconofotologia – teoria que investiga os modos de presença e significação da imagem desde os domínios clássicos (material e imaterial) até os regimes emergentes (epiplástico e holográfico) –, propõe uma teoria do sentido na imagem a partir da distinção entre denotação e conotação, não como níveis separados, mas como tensões constitutivas. Partindo da noção de que os tropos não são figuras de linguagem, mas operações elementares da percepção e do pensamento, o texto desenvolve a Escala de Brandão, um modelo dinâmico no qual a metáfora se organiza como movimento ascendente (condensação analógica) e a alegoria como movimento descendente (desdobramento narrativo). A escala é exemplificada em três domínios – verbal, fotográfico e cinematográfico – e articulada com os domínios material e imaterial da imagem. Ao final, discute-se o conceito de margem (onde o sentido se tensiona) e de paramundo (onde a imagem já não significa, mas comparece como presença), situando o enigma como fronteira da interpretação.