João Gabriel Vieira Melo, Guilherme Freitas Henderson
Este artigo investiga as convergências entre o jogo “Imagem e ação” e o modelo freudiano-lacaniano de interpretação dos sonhos, propondo uma homologia estrutural fundada na escrita pictográfica e na encenação de mensagens cifradas. Em ambos, a censura impõe restrições à expressão direta, mobilizando mecanismos como condensação, deslocamento e figurabilidade, que produzem conteúdos desfigurados e exigem um trabalho interpretativo. Argumenta-se que o jogo opera segundo uma lógica de rébus, na qual imagens substituem palavras e demandam associações para sua decifração, de modo análogo ao funcionamento do sonho. Sustenta-se que essa homologia permite utilizar o jogo como operador didático na transmissão da lógica do inconsciente e da técnica interpretativa da psicanálise, contribuindo para o ensino e a formação clínica sem substituir a experiência analítica propriamente dita.