Douglas Luiz de Oliveira Moura, Ana Cláudia Afonso Valladares-Torres, Jefferson Fellipe Jahnke, Ualisson Cleiton de Araújo Carvalho, Clara Araújo, Moisaniel Oliveira Pinheiro, Ana Flávia Costa Eccard, Paulo Candeias, Angélica Bittencourt Galiza, J.A. Neves, Sylvain Mbohou, Wendelson Pereira Pessoa, José René Câmara Júnior, Walesson Gomes Da Silva, Ícaro Dias Cruz, Bianca Blandino Florentino
A emergência de perspectivas decoloniais no campo da educação tem desafiado as estruturas eurocentradas que historicamente moldaram currículos, práticas pedagógicas e subjetividades docentes e discentes. Nesse horizonte, o pensamento de Frantz Fanon, ao propor a “descolonização do ser”, e a teoria da “Afrocentricidade”, desenvolvida por Molefi Kete Asante, convergem como eixos centrais para uma pedagogia que reconstrói a experiência negra a partir de referenciais próprios, rompendo com narrativas hegemônicas que invisibilizam a centralidade africana. A reexistência negra, entendida como processo de resistência e reinvenção, torna-se, assim, um princípio estruturante para a reconstrução do sujeito político-pedagógico. O objeto deste artigo é analisar as interfaces entre a descolonização fanoniana e a afrocentricidade asantiana como fundamentos para uma educação decolonial afrocentrada. Busca-se compreender como tais referenciais podem sustentar práticas pedagógicas que, ao mesmo tempo, denunciem os efeitos históricos do colonialismo sobre corpos e subjetividades negras e anunciem caminhos de reconstrução identitária, cultural e política pela centralidade africana. A pergunta de partida que guia esta investigação é: de que maneira a articulação entre a “descolonização do ser”, proposta por Frantz Fanon, e a “Afrocentricidade”, formulada por Molefi Kete Asante, pode fundamentar uma pedagogia de reexistência negra que reposicione a educação como espaço de emancipação, reconhecimento e reconstrução do sujeito político-pedagógico a partir da centralidade africana? Teoricamente, fizemos uso centralmente das obras de Fanon (1980; 2008; 2015; 2022) e Asante (2000; 2006; 2009; 2013; 2024), orbitando através do diálogo das obras de Ngũgĩ wa Thiong’o (2009; 2011; 2020), Sembène (1960), Ndlovu-Gatsheni (2016; 2020), Falola (2003), Rodney (1981), Nyerere (1968), Nkrumah (1965; 2018), Wiredu (2004), Mbembe (2012; 2017), Diop (1974; 1990), Achebe (1958; 2000), Diouf (2013), Cabral (1969; 1983; 2020), Mazrui (1986), entre outros. A pesquisa é de cunho qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). A investigação demonstrou que a articulação entre a descolonização do ser, em Fanon, e a Afrocentricidade, em Asante, constitui um fundamento sólido para a construção de uma “pedagogia de reexistência” negra. Constatou-se que a reexistência, ao unir resistência e reinvenção, oferece instrumentos para reposicionar a centralidade africana como eixo identitário, cultural e político da educação. Evidenciou-se, ainda, que os conceitos de Pedagogia da Centralidade e Reexistência Epistemológica ampliam as possibilidades de formação docente e discente crítica, ao transformarem a escola de aparelho colonial em espaço de emancipação. Em consequência disso, a pesquisa apontou a importância de práticas pedagógicas que valorizem a memória, a ancestralidade e a práxis emancipatória. Assim, conclui-se que a educação decolonial afrocentrada é caminho estratégico para reconstruir o sujeito político-pedagógico a partir da centralidade africana.