Élida Silva dos Santos, George Gabriel Souza Sales, Gisele Lima dos Santos, Luiz Henrique Ferreira dos Santos, Maria Isabel Cardoso Bastos Santos, Maria da Conceição Quirino dos Santos
O câncer do colo do útero permanece como um relevante problema de saúde pública no Brasil, sobretudo em regiões marcadas por vulnerabilidades socioeconômicas e limitações no acesso aos serviços de saúde, apesar de ser uma doença prevenível e com elevado potencial de cura quando diagnosticada precocemente. Este estudo teve como objetivo analisar o nível de conhecimento de mulheres residentes no município de Jequié, Bahia, acerca do câncer do colo do útero, seus fatores de risco, formas de prevenção e a influência do processo de desinformação na adesão às práticas preventivas. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, realizada com 70 mulheres com idades entre 18 e 64 anos, no mês de março de 2026, por meio da aplicação de um questionário estruturado em formato digital. Os dados foram analisados com base em estatística descritiva, permitindo identificar padrões de conhecimento e lacunas informacionais. Os resultados evidenciaram que, embora a maioria das participantes relate conhecer a doença e o vírus HPV, ainda há déficits significativos quanto à compreensão da etiologia, da periodicidade adequada do exame citopatológico e da importância da vacinação. Observou-se também baixa adesão ao exame Papanicolau e à vacinação, além da influência de fatores emocionais e socioculturais, como medo, vergonha e tabus, que dificultam a busca por serviços de saúde. Adicionalmente, verificou-se a presença expressiva de desinformação, especialmente no ambiente digital, contribuindo para dúvidas e inseguranças quanto às práticas preventivas. Constatou-se, ainda, que grande parte das participantes manifesta interesse em receber mais orientações confiáveis. Conclui-se que a desinformação constitui um dos principais entraves para o enfrentamento do câncer do colo do útero, sendo imprescindível o fortalecimento de estratégias educativas, ações de promoção da saúde e práticas de cuidado humanizadas no âmbito da Atenção Primária à Saúde, visando ampliar o acesso à informação qualificada e reduzir a incidência e mortalidade da doença.