Eduardo Azevedo Rebouças, Adriane de Almeida Santos, Marck de Souza Torres
favorecem extremismos, anonimato que facilita aEste estudo realizou uma revisão de escopo da literatura brasileira sobre violência online contra mulheres, analisando 11 artigos publicados entre 2014 e 2024. A metodologia seguiu o protocolo do Joanna Briggs Institute e as recomendações do PRISMA-ScR, com buscas nas bases Scopus, LILACS, PsycNet e Scielo, utilizando descritores que combinam termos de violência de gênero e ambientes digitais. Foram identificadas sete principais modalidades de violência online: discursos misóginos organizados, vigilância tecnológica de parceiras, exposição não consensual de conteúdo íntimo, banalização da violência psicológica, algoritmos que amplificam misoginia, violência interseccional contra mulheres trans e corpos dissidentes, e reprodução de estereótipos na mídia. Os contextos de ocorrência incluem plataformas que favorecem extremismos, anonimato que facilita a impunidade e crises sociais como a pandemia de COVID-19, que aumentaram vulnerabilidades. As estratégias de enfrentamento propostas abrangem dimensões tecnológicas, educacionais e políticas. As principais lacunas identificadas são a escassez de estudos empíricos robustos, a ausência de análises interseccionais sistemáticas e a avaliação limitada da eficácia das intervenções. O estudo conclui a necessidade urgente de atualizar a Lei Maria da Penha para contextos digitais, regulamentar redes sociais, integrar redes de apoio multidisciplinares e desenvolver políticas públicas que reconheçam a violência online contra mulheres como fenômeno estrutural.