Bianca Simões Ferri, Juliano Karvat
As intoxicações por agrotóxicos constituem importante problema de saúde pública no Brasil devido à ampla utilização dessas substâncias nas atividades agrícolas e ao risco de exposição ocupacional. Desse modo, os efeitos tóxicos podem provocar alterações morfofisiológicas em diversos sistemas do organismo, destacando-se o neurológico, respiratório, hepático, renal e endócrino; demonstrando a relevância de seu estudo para compreender os mecanismos epidemiológicos, bem como a busca por medidas profiláticas e de tratamento. O presente estudo tem como objetivo analisar o perfil epidemiológico das intoxicações por agrotóxicos notificadas no Brasil e discutir suas principais repercussões morfofisiológicas. As variáveis analisadas compreenderão sexo, faixa etária, região, unidade federativa, escolaridade, zona de residência, circunstância da exposição, evolução clínica e óbito. Portanto, sendo utilizado como embasamento para monitor zonas de risco, alterações substanciais no organismo humano, populações expostas, tratamento e prevenção. Trata-se de um estudo epidemiológico e descritivo, de abordagem quantitativa realizada com dados epidemiológicos secundários obtidos no DATASUS/SINAN, por meio do Sistema de Informações Hospitalares do SUS e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), relacionado ao código CID-10 T60 (efeito tóxico de pesticidas), no período de 2014-2024. As repercussões morfofisiológicas associadas à exposição aos agrotóxicos serão discutidas com base na literatura científica. Espera-se identificar a frequência de casos em regiões com intensa atividade agropecuária, predominância em indivíduos do sexo masculino especialmente entre 20 e 59 anos, correspondente à população economicamente ativa, com maior concentração de notificações na região Sul e Sudeste, envolvendo principalmente exposição ocupacional e tentativa de suicídio. Dessa forma, essa análise permite concluir que a população masculina é a mais afetada possivelmente devido a condições sociais e culturais pré-estabelecidas na sociedade; principalmente associado a trabalhos braçais nas zonas rurais, relacionado à dificuldade de acesso à saúde por essas populações. Diante dos principais efeitos tóxicos, destacam-se alterações neurológicas, renais, respiratórias e hepáticas, decorrentes da ação substancial de substâncias exógenas, como Carbamatos, Organofosforados e Fungicidas. Assim, além de prejudicarem os mecanismos e a funcionalidade de órgãos, geram danos às organelas celulares e processos inflamatórios, podendo contribuir para o estresse oxidativo e alterações histopatológicas, como atrofias, hiperplasias e neoplasias. Estes compostos, ao serem frequentemente utilizados, promovem diversas alterações fisiológicas e patológicas no organismo. Os Organofosforados, por exemplo, favorecem a inibição da enzima Acetilcolinesterase, favorecendo estímulos excessivos e descontrolados que interferem na homeostasia celular do organismo, ocasionando sinais e sintomas típicos: cefaleia, náuseas, broncoespasmo, fraqueza muscular e alterações neurológicas. Conclui-se que a análise das intoxicações por agrotóxicos registradas no DATASUS permite compreender melhor a distribuição desse agravo no Brasil, identificando populações mais vulneráveis e possíveis fatores associados à exposição.